ESPELHO MEU…

ESPELHO MEU…

Olá a todos!

Hoje proponho que façamos uma reflexão acerca da nossa imagem corporal. O que vemos quando nos olhamos ao espelho?

 

Vou começar por clarificar o conceito de imagem corporal. Quando falamos de imagem corporal, falamos da perceção que temos do nosso próprio corpo e dos pensamentos e sentimentos que resultam dessa perceção.

Esses sentimentos podem ser positivos, negativos ou ambos e são influenciados quer por fatores individuais, quer por fatores ambientais.

Podemos também pensar na imagem corporal, como sendo a maneira como nós nos vemos, quando nos olhamos no espelho ou quando nos imaginamos na nossa mente.  Ou seja, a imagem corporal é uma representação mental do nosso corpo, é a forma como vemos e pensamos o nosso corpo e é também a forma como acreditamos que os outros nos veem.

 

Como criamos a nossa imagem corporal?

A nossa imagem corporal é formada por uma conjugação de vários fatores:

  • O que acreditamos ser a nossa própria aparência (incluindo as nossas memórias, suposições e generalizações).
  • Como nos sentimos em relação ao nosso corpo, incluindo a altura, forma e peso.
  • Como nos sentimos e controlamos o nosso corpo enquanto nos movemos.

 

E também por quatro aspetos:

  1. A forma como vemos o nosso corpo, é a nossa imagem corporal percetual. O que não quer dizer que seja uma representação correta de como somos na realidade. Por exemplo, uma pessoa pode perceber-se com excesso de peso, quando na realidade está abaixo do peso.
  2. A maneira como nos sentimos com o nosso corpo, é a nossa imagem corporal afetiva. Isto está relacionado com o grau de satisfação ou insatisfação que sentimos, sobre a nossa forma, peso e partes individuais do corpo.
  3. A maneira como nós pensamos sobre o nosso corpo é a nossa imagem corporal cognitiva. Isto pode levar a preocupação com a forma do corpo e peso. Por exemplo, algumas pessoas acreditam que se vão sentir melhor, se emagrecerem ou se forem mais musculosas.
  4. Os comportamentos em que nos envolvemos, como resultado da nossa imagem corporal, referem-se à nossa imagem corporal comportamental. Quando uma pessoa está insatisfeita com a forma como os outros a olham, ela pode isolar-se porque se sente mal com sua aparência ou então ter comportamentos destrutivos (por exemplo exercício excessivo, dietas extremamente restritivas) como um meio para mudar a aparência.

Imagem Corporal Vs distúrbios alimentares  

A imagem corporal e os transtornos alimentares andam de “mãos dadas”. Muitas vezes é a insatisfação com a aparência, que leva alguém a concluir que a perda de peso vai melhorar a sua imagem, e fazê-la  sentir-se melhor em relação a si mesma e ao seu corpo. Assim, fazer dietas restritivas e praticar  exercícios – muitas vezes de forma exagerada – são estratégias utilizadas. Estas estratégias, combinadas com a obsessão pela imagem, servem como gatilho para o desenvolvimento de distúrbios alimentares, tais como a anorexia, bulimia, e a compulsão alimentar.

Quando a nossa Imagem Corporal é negativa…

A imagem corporal negativa, é a perceção distorcida da nossa forma – percebemos as partes do nosso corpo, de uma forma diferente de como elas realmente são.

  • Estamos convencidos de que apenas as outras pessoas são atraentes e que a nossa estrutura corporal ou forma, é um sinal de fracasso pessoal.
  • As pessoas com uma imagem corporal negativa, têm uma maior probabilidade de desenvolver um transtorno alimentar e são mais propensas a sofrer de sentimentos de depressão, isolamento, baixa autoestima, e obsessões com a perda de peso.
  • Sentimos vergonha e ansiedade em relação ao nosso corpo.
  • Sentimo-nos desconfortáveis e estranhos relativamente ao nosso corpo.

 

Mas porque distorcemos a nossa imagem?

Quando uma pessoa tem pensamentos negativos e sentimentos sobre o seu próprio corpo, o mais provável é que desenvolva sentimentos de insatisfação corporal. A insatisfação corporal é um processo interno que pode ser influenciado por vários fatores externos. Por exemplo, a família, amigos, conhecidos, os professores e os meios de comunicação, têm um impacto sobre a forma como as pessoas se veem e sentem sobre si mesmas e sua aparência. Indivíduos  que vivem em ambientes onde a aparência “idealizada” é excessivamente valorizada, ou aqueles que recebem feedback negativo sobre sua aparência, têm um risco maior de apresentar uma insatisfação corporal.

Um dos contributos externos mais comuns para a insatisfação com o corpo, são a mídia. Pessoas de todas as idades são bombardeadas com imagens através da TV, revistas, internet e publicidade. Estas imagens, muitas vezes promovem ideais da aparência irrealistas, inatingíveis e altamente estilizadas, que têm sido fabricadas por estilistas, equipes de arte e manipulação digital e não podem ser alcançados na vida real. Aqueles que sentem que não estão à altura, em comparação com estas imagens, podem experimentar insatisfação corporal intensa, que é prejudicial para o seu bem-estar psicológico e físico.

Existem alguns fatores que tornam algumas pessoas mais propensas a desenvolver uma imagem corporal negativa do que outras:

  • Idade – imagem corporal é frequentemente formada durante o final de infância e adolescência, mas a insatisfação corporal pode afetar pessoas de todas as idades e é tão prevalente na meia-idade, quanto na juventude e na idade adulta.
  • Sexo – as adolescentes são mais propensa à insatisfação corporal do que os adolescentes do sexo masculino; no entanto, a taxa de insatisfação corporal em homens tem vindo a aproximar-se rapidamente da das mulheres.
  • Baixa autoestima e / ou depressão.
  • Traços de personalidade – pessoas com tendências perfecionistas, grandes empreendedores, pensadores do tipo rígido (‘preto e branco’, ‘tudo ou nada’), aqueles que internalizam ideais de beleza e aqueles que muitas vezes se comparam aos outros, correm um risco maior de desenvolverem insatisfação corporal.
  • Bullying – pessoas que foram ou são ridicularizadas ou humilhadas por causa da sua aparência / peso, independentemente do tipo de corpo real, têm um risco maior de desenvolverem insatisfação corporal.
  • Amigos e familiares que constantemente fazem dieta e/ou possuem e expressam uma preocupação excessiva em relação a imagem corporal, pessoas que servem de “exemplo e modelo” como pais e amigos, e que expressam preocupações excessivas com a imagem corporal e perda de peso, podem aumentar a probabilidade de um indivíduo desenvolver a insatisfação corporal, independentemente da sua imagem real.
  • Tamanho do corpo – Na nossa sociedade, extremamente ligada ao peso e à imagem, um tamanho corporal maior, aumenta o risco de insatisfação corporal.

Quando temos uma Imagem Corporal Positiva…

  • Temo uma verdadeira e clara perceção da nossa forma – conseguimos ver as várias partes do nosso corpo, tal e qual elas são.
  • Aceitamos e apreciamos a forma natural do nosso corpo e entendemos que a nossa aparência física diz muito pouco sobre o nosso caráter e valor.
  • Sentimo-nos orgulhosos e aceitamos o nosso biótipo e recusamo-nos a gastar tempo com a preocupação com comida, peso e calorias.
  • Sentimo-nos confortáveis e confiantes com o nosso corpo.


A importância de uma imagem corporal positiva …

A imagem corporal positiva acontece quando uma pessoa é capaz de aceitar, apreciar e respeitar o seu corpo. E é importante, por ser um dos fatores de proteção, que nos podem tornar mais resistentes aos distúrbios alimentares. Na verdade, os programas mais eficazes de prevenção dos transtornos alimentares, usam uma abordagem de promoção da saúde, com foco na construção da imagem corporal positiva e autoestima, para além de uma abordagem equilibrada para a nutrição e atividade física. Uma imagem positiva do corpo irá certamente melhorar:

  • A autoestima, que dita como uma pessoa se sente sobre si mesma, podendo influenciar todos os aspetos da vida, e contribuir para a felicidade e bem-estar.
  • A autoaceitação, fazendo com que o indivíduo se sinta confortável e feliz com a forma como as pessoas próximas a olham e menos propenso a sentir-se influenciado, quer por imagens irreais nos meios de comunicação, quer pelas pressões sociais, para que se apresente de determinada forma.
  • As perspetivas e os comportamentos saudáveis. É muito mais fácil levar um estilo de vida equilibrado, com atitudes e práticas adequadas relativas à alimentação e ao exercício, quando estamos em sintonia com  as necessidades do nosso corpo.

Todos nós podemos ter os nossos dias, em que nos sentimos estranhos ou desconfortáveis nos nossos corpos, mas a chave para desenvolver a imagem corporal positiva é reconhecer e respeitar a nossa forma natural e aprender a dominar os pensamentos e sentimentos negativos em relação ao corpo, através de atitudes e afirmações positivas.

“…a perfeição corporal não é fundamental quanto a excelência da tua essência!”

(Regina Cury)

Até breve!

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