MESTRE OU CARRASCO? Falemos de Amor…

O amor…algumas vezes, descrito como o combustível da vida, o sentimento que dá cor e razão à existência, e outras vezes, como sendo o sentimento que arrebenta o coração de tanta dor.

Como diz a gíria popular, não há amor sem dor. Será?

Proponho-me hoje a abordar este tema, partindo do pressuposto de que o desejo e o medo são ingredientes do Amor (existem muitos outros) e as perdas e ganhos são os seus frutos.

Desejo e medo

O Amor e a dor estão intrínsecamente ligados ao desejo e ao medo: o fim que não queriamos que chegasse ou a perda do que quer que seja, do que não gostaríamos de abrir mão, traz sofrimento psicológico, justamente porque afeta quer o nosso desejo, quer o nosso medo. Como? Se por um lado  desejamos manter o que possuímos,  por outro, temos medo do imprevisivel que resulta da perda.

Quando a resignação não acontece perante  um facto inevitável, o ser humano apega-se à dor, seja carregando a melancolia do que tinha e já não tem ou vivendo uma vida de medo, procurando evitar situações semelhantes para que não corra o risco de perder e sofrer novamente. São estas algumas das armadilhas em que o ser humano pode cair.

Perdas e ganhos

O ser humano, também cresce na dificuldade (perdendo, abandonando e desististindo). Mas as perdas, tem também o seu lado positivo: podem ser o caminho para uma nova orientação na vida, podem ser o espaço necessário para o aparecimento de novas oportunidades, podem ser ensinamentos que nos fortalecem…

As perdas são universais e constantes, mas serão sempre uma oportunidade para um aumento da maturidade e equilíbrio psicológico. Também as dores farão parte do dia-a-dia e fazem-se sentir tanto para os que não as suportam, como para os que as aceitam e toleram. O ideal será aprender a lidar com elas e delas retirar os respetivos ensinamentos.

As perdas são inevitáveis.  Mas o amor possui a capacidade de preencher o vazio, deixado pelo que foi perdido, se continuarmos dispostos a amar.

Amor e dor

A saudade decorrente de uma grande perda  leva-nos a desequilíbrios emocionais , às vezes, irrecuperáveis.

No amor, muitas pessoas tornam-se incapazes para estabelecer um vínculo afetivo, por medo de amar e sofrer grandes desilusões. Mas não se pode amar profundamente alguém ou alguma coisa, sem se tornar vulnerável ás perdas. Amar é sempre um risco!

É necessário ser perseverante para superar não só as perdas por amor, como todas as outras que ocorrem durante toda a nossa vida.

Quando as coisas estão bem, as pessoas ficam em estado de êxtase e harmonia, mas quando o amor se encaminha na direção da dor e do sofrimento,  sentimo-nos totalmente abandonados e desamparados.

Sofremos quando perdemos o que ou quem amamos, mas quando perdemos algo que não tem qualquer tipo de valor para nós, não sofremos. Fácilmente se conclui que é o amor que dá valor e sentido a qualquer coisa ou a alguém.

Amor e dor andam de mãos dadas! E dado que a dor é inevitável, então que toda a dor seja por amor.

Sofra, regozije-se, chore, ria, ganhe, perca, porém… Ame sempre.

Viver o luto e seguir em frente

Quando perder algo, permita-se sofrer, viver seu luto, mas permita-se também a oportunidade de recomeçar.

Reveja-se naquela semente que está sob a terra fria e escura, mas que ao ser alimentada pelo sol, brotará da terra e transformar-se-á. A semente tem em si a sabedoria de que precisa morrer enquanto  semente, para poder nascer como planta.

Faça como a  Fênix da mitologia grega!

A Fênix era um pássaro que, quando morria, entrava em autocombustão e passado algum tempo renascia das próprias cinzas.

Viva a dor como um momento de morte na vida, mas use a própria dor para renascer no amor à vida.

Como superar as dores do amor

Se há coisa com que todos aqueles que já sofreram por amor, certamente concordam, é que a dor às vezes chega a ser insuportável. Seja por ter sido abandonado, seja porque se perdeu alguém que se ama, nunca é fácil voltar à ”normalidade” depois de tanto sofrimento.

Não tenha vergonha de chorar. Vários estudos indicam que as dores de amor são tão intensas (às vezes mais) quanto a dor física. Ao tentar ignorar a dor, ela vai acumular-se até chegar ao ponto de provocar transtornos psicológicos sérios. Deixe os sentimentos fluírem e as lágrimas brotarem à vontade.

Encontre algo que temporariamente distraia os seus pensamentos. Enquanto a dor não passa, podemos até chegar a esquecer do sofrimento, nem que seja por alguns instantes. Dedique-se a atividades de que gosta e que podem ajudar a relaxar.

Desabafe com pessoas em quem confia. Se desabafar não ajudasse tanto, não haveriam tantos grupos de apoio para gente com todo tipo de problemas.

Faça um esforço para seguir em frente. Pode ser a oportunidade que faltava para concentrar-se no trabalho ou num projeto pessoal. O importante é manter a mente ocupada.

Tente manter a cabeça no lugar. Concentre-se nas coisas boas que tem na vida. Pense no que pode fazer com o seu futuro sem deixar que essa perda infernize a sua vida.

Vida nova. Envolva-se em novos projetos e faça o possível para não ficar relembrando o passado. Quanto mais seguir em frente, mais rápido a dor vai passar.

Ajuda psicológica. Se se sentir incapaz de lidar com a perda, não hesite. Procure ajuda especializada.

Aprenda a conviver com a dor. É possível que de vez em quando, deixe escapar uma lágrima ao lembrar-se do que aconteceu, mas com o tempo a sua vida vai voltar ao normal. Confie no tempo.

 

       Como dizia Sófocles: “Só uma palavra nos liberta de todo o peso e da dor da vida: essa palavra é o Amor.”

Até breve!

 

Ana Lopes 

One Reply to “MESTRE OU CARRASCO? Falemos de Amor…”

  1. Cristina Feliciano says: Responder

    Não há amor sem dor

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